domingo, 3 de setembro de 2017

Bronto Skylift dos Bombeiros Voluntários de Joinville

No post anterior escrevi sobre o passado, apresentando a Magirus Deutz do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville.

Hoje, escrevo sobre o presente, apresentando nossa UPE 54 (Unidade Auto-plataforma-escada):




Esta viatura foi adquirida no final de 2010 da empresa Bronto Skylift (Finlândia), possui alcance de 54 metros de altura (cerca de 18 andares) e é umas das auto-escada-plataformas mais modernas do Brasil.

Além da escada, possui cesto com esguicho automático (que pode inclusive ser operado do solo) e sistema de ar para EPR (equipamento de proteção respiratória).




O equipamento trabalha com sistemas redundantes e diversos sensores espalhados por todo o veículo, conferindo grande confiabilidade. O sistema não permite fazer nenhum movimento que possa colocar em risco os ocupantes e o próprio veículo.





Desde sua aquisição, já participou de dezenas de ocorrências e treinamentos, desde resgates em altura até grandes incêndios em edificações, comércios e indústrias.

Para se ter uma ideia, em sua capacidade máxima, o sistema de bombeamento consome uma carreta de água (cerca de 30 mil litros) em menos de 10 minutos!

Por sua capacidade operacional e flexibilidade, é considerada um veículo essencial para nossas operações. Sem sombra de dúvidas, foi um divisor de águas na corporação.

Até o próximo post!

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Magirus Deutz dos Bombeiros Voluntários de Joinville

Temos na corporação de Bombeiros Voluntários de Joinville uma verdadeira relíquia: um exemplar funcional da auto-escada Magirus Deutz, de 1957.




Antes de mais nada, um pouco de história:

A Deutz AG foi fundada em 1864 por Nikolaus Otto, nada mais nada menos que o inventor do motor à combustão interna de quatro tempos - também conhecido como motor de ciclo Otto.

Inicialmente só produzia motores, mas em meados de 1870 passou a produzir também veículos (caminhões, ônibus e máquinas agrícolas).

Para se ter uma ideia da importância desta empresa, entre as pessoas que trabalharam para a Deutz, alguns nomes são bem conhecidos, tais quais Gottlieb Daimler, Wilhelm Mayback, Robert Bosch e Ettore Bugatti - todos posteriormente fundadores das empresas grifadas em negrito.

Já no final da década de 1910, a empresa começou a fornecer motores à Magirus GmBH, a qual passou a ser conhecida também como Magirus Deutz, unindo a tradição das escadas Magirus com a robustez dos motores Deutz, reconhecidos mundialmente na época por trabalharem nas mais difíceis situações.

Apesar da idade, o caminhão ainda funciona! A escada está com algum desgaste, porém ainda pode ser arvorada parcialmente. Atualmente, com a aquisição de uma auto-escada-plataforma mais moderna, esta Magirus passou a fazer parte da saudosa história dos Bombeiros Voluntários de Joinville.







Saudações!

Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Magirus
https://en.wikipedia.org/wiki/Deutz_AG

domingo, 30 de julho de 2017

Incêndio em carreta de refrigeradores

Há umas duas semanas participei de uma ocorrência de combate a incêndio em uma carreta carregada de refrigeradores:





Chegando ao local, uma primeira guarnição já havia chegado e combatido o incêndio, cabendo a nós apenas auxiliar no rescaldo e na remoção da carga.

A ocorrência em si não teve grandes proporções e dificuldades, porém o mais intrigante foi entender como o fogo começou.

Esta carreta estava dentro de uma transportadora. Segundo relatos dos funcionários, ela estava parada no pátio, desconectada do cavalo mecânico e de qualquer fonte de energia elétrica. No momento também não havia chuva e raios.

De repente, eles começaram a avistar fumaça saindo da carreta e, num ato de muita coragem, um dos funcionários que manobrava um cavalo mecânico conectou-o na carreta e a levou para fora da transportadora, evitando que o fogo se espalhasse para os demais caminhões ao redor.

Extinto o fogo, procuramos por indícios de como o incêndio poderia ter começado. Não havia qualquer sinal de derretimento ou avaria na parte elétrica, nos pneus, freios ou qualquer outra parte externa da carreta. De fato, a história de que ela não estava conectada a nada parecia fazer sentido.

Então começamos a cogitar vazamento de gás de algum refrigerador, pois alguns gases usados no sistema de refrigeração podem ser inflamáveis.

A pergunta seguinte foi: o que gerou uma faísca para que o fogo se iniciasse?

A hipótese mais plausível foi a de energia estática, pois os refrigeradores são envoltos com isopor e plástico e, no transporte, a fricção entre as embalagens pode acumular energia.

Mesmo assim, como poderia ter gerado uma faísca se o caminhão estava parado?

Ao final, saímos da ocorrência com dúvidas e hipóteses, mas com o dever cumprido.

Neste tipo de ocorrência, a chance de tomar grandes proporções é alta, pois as carretas ficam muito próximas umas das outras.

O agente extintor a ser usado dependerá da carga no interior da carreta. Neste caso, usamos água para extinguir o fogo por resfriamento e abafamento e, posteriormente - com a ajuda dos funcionários da transportadora - retiramos a carga para se certificar que não havia mais fogo em seu interior.

Também não custa lembrar que é primordial usar EPI completo e EPR, pois os tipos de material usados na construção dos refrigeradores são bastante tóxicos quando submetidos a fogo e/ou altas temperaturas.

O combate é feito por fora e deve-se tomar muito cuidado ao abrir as portas, pois poderão ocorrer fenômenos como flashover e backdraft.

Pode-se adentrar à carreta para retirar a carga somente quando tiver certeza que o fogo foi extinto.

Até a próxima!

sábado, 24 de junho de 2017

Encontrando a bateria do veículo

Na última quinta-feira, participei de uma ocorrência de resgate veicular em que tivemos certa dificuldade em localizar e desligar a bateria do veículo.


Em qualquer ocorrência de resgate veicular, é crucial desligar a(s) bateria(s), a fim de reduzir o risco de incêndio, caso haja vazamento de combustível. Se você tiver dúvida sobre este procedimento, veja este post.

Normalmente, a bateria fica sob o capô, mas em alguns veículos pode estar no porta-malas ou embaixo de algum dos bancos.

Ao abrir o capô, nos deparamos com uma indicação de "positivo", mas não havia bateria. Desconectamos este positivo, porém as luzes internas e pisca-alertas permaneceram ligados.

Abaixo do console central do automóvel, notamos um cabo de grande diâmetro, alaranjando, indo em direção ao porta malas.

Como a estrutura do veículo foi danificada no acidente, tivemos que abrir o porta-malas com uma ferramenta hidráulica, e encontramos a bateria no compartimento do estepe.

Desconectados os polos negativo e positivo, a energia foi finalmente cortada.

Analisando o polo positivo encontrado sob o capô, entendemos tratar-se de um dispositivo de segurança que interrompe a corrente elétrica que chega ao motor.

Entretanto, os demais equipamento internos e lanternas continuam ativos até que se encontre e se desligue a bateria.

Sob a ótica de risco de incêndio, a desconexão deste polo positivo junto ao motor seria suficiente, mas sob a ótica dos procedimentos de resgate e método SAVER, devemos encontrar a(s) bateria(s) e desconectá-la(s) completamente.

Só assim garantiremos que eventuais dispositivos de segurança não acionados (como airbags e pré-tensionadores) não serão ativados acidentalmente.

Até a próxima!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Estudo de caso: carro lateralizado vs. objeto fixo

Imagine o seguinte cenário: um carro colide com algum objeto (outro carro, um meio-fio, etc), fica lateralizado e esmagado contra um muro.

Ilustrando a situação:


Agora imagine que este carro é um sedan e que o teto foi comprimido contra este muro, não havendo acesso imediato pelo pára-brisas, vidro traseiro ou porta-malas, e com acesso bastante restrito pelas portas laterais.

Há uma vítima no interior (condutor), inconsciente. Neste cenário, não é possível um socorrista / resgatista adentrar o veículo para checar o estado geral da vítima, nem mesmo estabilizá-la.

Uma alternativa - possilvemente a mais recomendada - seria:

1. Estabilizar o veículo com calços e estabilizadores.
2. Remover portas laterais
3. Remover tampa do porta-malas e bancos traseiros.
4. Acessar a vítma para checar sua condição e estabilizá-la (se for possível).
5. Não sendo possível extraí-la pela porta lateral ou porta-malas, fazer um acesso pelo assoalho do carro.

O vídeo abaixo ilustra os procedimentos:


O problema dessa técnica é que ela exige muito tempo e, como a vítima não responde a comandos verbais, não é possível saber sua condição.

Até que um socorrista / resgatista consiga acessá-la, estabilizá-la e um acesso pelo assoalho seja feito, a condição da vítima pode piorar muito, eventualmente evoluindo para morte.

Uma alternativa não convencional seria realizar um "tombamento controlado" do veículo. Ilustrando:


Dessa forma, com o veículo com as quatro rodas no chão, ficaria muito mais fácil realizar o resgate, removendo completamente o teto.

Como a vítima não foi estabilizada, esta técnica tem de ser realizada de forma muito controlada. Pode-se utilizar cabos e guinchos de viaturas para desvirar o veículo cuidadosa e gradualmente.

O ideal é que os resgatistas também controlem o "tombamento" pela parte do assoalho do carro, evitando solavancos que possam agravar ainda mais a situação da vítima.

Concluindo, esta técnica pode ser usada em casos como o citado acima, onde não se conhece o estado geral da vítima, ela não responde a comandos verbais e não se tem fácil acesso por qualquer abertura (portas, porta-malas, pára-brisa).

Saudações!